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10 Janeiro, 2019
Desenvolvimento do agronegócio em tempos turbulentos
Por Gustavo Grobocopatel (Presidente do Grupo Los Grobo). Para a edição de dezembro de 2018 do Jornal Institucional da Bolsa de Valores de Rosário.

Os desafios destes tempos exigem coordenação e alinhamento de visões e ações de toda a sociedade, especialmente das empresas e do Estado, organizações onde a energia do homem tem mais consequências na vida cotidiana.

Nosso desafio é dar à humanidade segurança alimentar, desenvolver atividades em harmonia com a natureza e combater a pobreza, e todas elas podem ser resolvidas se conseguirmos alinhar o trabalho do setor privado e do público, já que a complexidade e a profundidade deles exigem uma abordagem sistêmica, que também integra a sociedade como um todo.

Acreditamos que estamos no lugar certo - nas Américas - e em um setor e tempo adequados, pois a demanda por nossos produtos crescerá em quantidade e qualidade durante as próximas décadas. Temos um compromisso com os habitantes deste mundo por sua provisão em tempo hábil.

Não há outra região no planeta que tenha as condições das Américas para fornecer os alimentos que serão demandados e as matérias-primas para construção, vestuário, medicamentos e outros usos múltiplos.

A região é uma ampla plataforma fotossintética que converte sol e água em múltiplos produtos que saem dos nossos vales, planícies, florestas, montanhas, mares e rios. Temos água abundante e barata, muito mais que o resto do planeta. Mas acima de tudo, temos uma cultura sobre como cultivar, que vem da América ancestral e remota, adquirida e melhorada por migrações recentes.

Nestas fundações estamos numa convergência tecnológica sem precedentes e sem limites conhecidos. A biotecnologia permite o projeto de plantas transformando-as em "fábricas" que absorvem CO2 e usam energia solar. Eles são a base de uma nova revolução industrial verde que ocorrerá nas áreas rurais do nosso continente. Eles serão acompanhados por uma nova química, a microbiologia que domestica os microorganismos e as tecnologias para plantar sem remover a terra. Pela primeira vez na história, "fazendeiro" não é sinônimo de "fazendeiro" e podemos dar a nossos filhos um solo melhor do que os recebemos. A robótica, a agricultura de precisão, a nanotecnologia, a gestão baseada na inteligência artificial, a internet das coisas, a aprendizagem de máquinas e a uberização da logística e dos serviços, vão mudar as formas de organização, a divisão do trabalho e o uso de ativos.

Os povos das Américas devem receber essas transformações com esperança e autotransformação para internalizá-las. Os empreendedores têm o desafio de criar ecossistemas empresariais sustentáveis ​​e inclusivos, integrando atividades complexas e diversificadas. Por exemplo, a integração do agronegócio com a gastronomia, o turismo e serviços especializados baseados em TI que convergem para tornar esses produtos mais competitivos e desejáveis. Os desenvolvimentos econômicos devem incorporar a linguagem da vida, devemos nos comunicar com a natureza criando um elo sinérgico, com mais vida e diversidade. Mundos, culturas de ciência e negócios também devem convergir e o Estado deve facilitar esses fluxos.

Mas não seremos condenados ao sucesso, devemos nos preparar. Empreendedores, Estados e organizações da sociedade, devemos trabalhar juntos para tornar este processo com esperança, incluindo as maiorias, gerando progresso para muitos e inclusão para todos.

Nós também precisamos de instituições deste século e um Estado deste tempo: Um Estado facilitador, um construtor de bens públicos, um Estado que aprende e muda permanentemente. Um Estado que conduz as transformações e as transforma em um feito coletivo.

Esses processos de transformação devem ser conduzidos e orientados dentro da estrutura de um propósito claro. Qual o significado desse processo? Não devemos perder de vista que, se não criamos bem-estar com dignidade, nossos esforços e ações perdem sua razão de ser. O resultado deste trabalho não deve ser medido com base no que damos, mas pelo que as pessoas recebem, aumentando suas capacidades. Segundo Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia, estes são: ser mais livres, mais autônomos, mais empregáveis, mais empreendedores, mais solidários e mais saudáveis. Se conseguirmos criá-los através de nossas ações, estaremos no caminho certo, se não tivermos sucesso, devemos corrigi-los.

Não podemos nos distrair, não apenas devemos caminhar na direção certa, mas também devemos fazê-lo o mais rápido possível.

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