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11 Abril, 2021
Grobocopatel: “Que os alimentos sejam mais procurados é uma grande oportunidade para a Argentina“
O empresário pede redução nas retenções, fundo anticíclico e mais investimentos em inovação e tecnologia. Mauá, a plataforma com a qual aposta para digitalizar a gestão agrícola.

“Acho que vi uma luz, do outro lado do rio”, cantou Gustavo Grobocopatel de sua casa em Colônia do Sacramento, no Uruguai, onde mora desde o ano passado. O empresário, que deixou a presidência da Los Grobo mas manteve a participação acionária, lançou há algumas semanas a plataforma Mauá, uma ferramenta que busca conectar os produtores, oferecer-lhes informações úteis para administrar sua atividade e promover a inovação e tecnologia na agricultura.

—Por que a Los Grobo apostou na Agtech com o Mauá? Quanto essas ferramentas digitais podem ajudar a aumentar a produtividade no campo?
—No século 21, praticamente todas as empresas serão impactadas pelas tecnologias digitais. Esses tipos de plataformas são fundamentais, abrindo o caminho para a Inteligência Artificial. Esta plataforma tenta de alguma forma aproximar clientes e fornecedores, construindo uma grande comunidade empresarial em torno do que esta empresa gera. É muito difícil crescer no tempo, na velocidade e na quantidade se não o fizermos a partir deste tipo de tecnologia.

—Como funciona esta plataforma? O que muda a vida dos produtores?
—A partir da utilização da plataforma, os produtores terão as informações transacionais de forma transparente e clara. Eles serão capazes de fazer uso rápido e imediato de todas essas informações para tomar decisões de gestão. Aí você tem outros tipos de informações como clima, mercados, imagens de satélite do campo, processadas com mapas de produtividade. São informações com curadoria da equipe Los Grobo. Depois, há um segmento chamado comunidade, onde procuramos gerar um espaço de criação de conhecimento coletivo por meio de informações relacionais, ou seja, as informações que são geradas no debate, nas trocas, nas conversas entre nós e também com especialistas. Esta é a versão 1.0 e é o início de uma evolução que vai acompanhar o que a tecnologia faz no mundo.

- Os dados são uma commodity tão importante quanto a soja hoje?
—Na verdade, estes não são dados para soja ou qualquer outra cultura agrícola. São dados sobre gestão econômica, gestão empresarial. E todos esses dados hoje são usados ​​para tomar melhores decisões que permitem aumentar a produtividade, vender melhor, reduzir riscos, gerenciá-los. São informações que, de alguma forma, ajudam os produtores a administrar seus negócios de maneira mais profissional.

- Qual a importância do 5G para a Agtech?
-É fundamental. O caso de Mauá é central. Que você possa acessar a conectividade com velocidade e em qualquer lugar é fundamental. Existem muitas tecnologias no campo que têm a ver com conectividade: geolocalização, dosagem, são muitas tecnologias. Se não houver conectividade, é impossível. No mundo de hoje, ter 5G é como ter ar.

—A Argentina ainda não desenvolveu sua rede 5G. Os Estados Unidos estão pressionando para que os países não adotem a rede da Huawei. Isso muda alguma coisa para o setor privado, para os produtores, seja a rede chinesa ou uma empresa ocidental?
-Não. Basta que haja conectividade. O resto é um partido geopolítico que não conheço. Quanto antes nós, produtores argentinos, tivermos conectividade, melhor.

—Há algum tempo, a Anfibia definiu você em uma nota como “o homem rico que Steve Jobs pensa que é”. Quando você se mudou para o Uruguai, você seria mais o Marcos Galperín do interior?

—Entre Marcos Galperín e eu há vários zeros de diferença (risos). Essa é uma nota em que a jornalista (Graciela Mochkofsky) sarcasticamente me acusou de que sou muito tecnológica. Ela fez isso em tom de zombaria, mas minha resposta é Mauá. Não só eu acredito em mim, mas eu acredito.

- "Por que você se mudou para o Uruguai?"
—Decidi vir morar no Uruguai há muitos anos e estou cada vez mais aqui. O que a pandemia fez foi me fazer tomar a decisão 7x24. Ele acelerou uma decisão de vida que já havia feito. Eu moro em Colonia, que é um lugar muito perto de Buenos Aires. Isso me permite estar perto da minha família, dos meus afetos e também do mundo porque há alguns anos comecei a trabalhar em consultoria internacional e a partir daqui me permite trabalhar no resto do mundo.

—Após a travessia na cúpula do Mercosul, lideranças uruguaias publicaram mensagens nacionalistas em suas redes sociais com o slogan “Ei, Uruguai”. Luis Lacalle Pou não desejou publicamente a Alberto Fernández uma recuperação rápida após contratar a Covid-19. O Mercosul está enfrentando apenas uma crise de política comercial ou é uma crise mais profunda?

- Obviamente, o relacionamento bom ou ruim entre os líderes ajuda, facilita. Me dá a impressão de que o Mercosul é uma política de Estado e que deve se sustentar sem dificuldades, obviamente aprofundando, flexibilizando, fazendo o que combinamos. Nenhum dos quatro países tem um destino de sucesso sozinho. Nós quatro precisamos estar juntos, precisamos consolidar a aliança. Nisso, até agora, o Mercosul falhou. O Mercosul foi uma aliança para nos proteger do mundo. Agora temos que fazer uma aliança para nos projetarmos no mundo e me parece que quanto antes o fizermos, melhor para todos.

—Por que a agricultura inovou tanto na Argentina nas últimas décadas e é tão competitiva globalmente e outros setores da economia precisam de proteção?

"Existem várias respostas." Em primeiro lugar, pode ser porque o mercado internacional ou o contexto dos fundamentos não são os mesmos. Normalmente quando não há fundamentos positivos, setores ou empresas tendem a desaparecer se não inovarem ou mudarem. Pode ser que a sociedade argentina considere que há setores ou empresas que devem funcionar de alguma forma porque geram benefícios ou externalidades positivas para a sociedade como um todo. Sobre isso eu não discordo. Acredito sim que essa decisão deve ser explicada com clareza para a sociedade, quanto custa, e que é a sociedade que de alguma forma, de forma transparente, sabe o que está acontecendo. O Estado tem o direito total de proteger certos setores ou empresas se considerar que isso é um bem para o todo.

—Como será a grande colheita em 2021? Quantas toneladas você acha que os produtores vão liquidar?

- Essa pergunta sobre a liquidação dos produtores parece um termômetro de alegria ou tristeza. Se você acompanhar as liquidações mensais, percebe que é sempre igual, igual há 15 anos. Temos dois ou três meses de liquidações recordes que permitiram ao Banco Central recuperar algumas reservas. Temos uma safra pela frente que foi muito impactada pela seca e foi muito difícil. Os retornos que estamos tendo até agora não são tão ruins quanto pensamos que seriam. Os maus desempenhos serão compensados ​​pela alta dos preços. Mas já neste ponto, os produtores estão pensando em quanto vão semear na próxima temporada. Estamos colhendo e pensando no plantio do trigo que começa em maio, que também parece que vai ser um recorde graças a esses preços altos. A notícia mostra o preço, mas a quantidade não aparece. É como se mais marketing dissesse que o preço subiu ou desceu, mas a quantidade não subiu ou desceu. Se o preço sobe e não temos produto, chove sopa e ficamos com um garfo. É muito importante ter produção. Meu avô sempre falava "chega que chove", aí os preços sobem e descem, mas o importante é ter produção. E para o país é o mesmo: tem que ter produção.

—Están subiendo los precios de los alimentos en el mundo, ¿qué oportunidades y riesgos implica eso para la economía argentina?

—El precio de los Alimentos si lo miramos com perspectiva ha venido a la baja. Cada vez es más barato comer. Por eso hay más gente que vem y hay menos hambre y menos pobres en el mundo. Por ahí no es el caso da Argentina, pero en el mundo es así. Y en ese contexto de caída de precios por supuesto hay volatilidad, hay años que aumentan, otros que bajan. Eso se debe en Algunos productos como soja y maíz a la relación entre la oferta y la demanda. Hay una demanda que crece e una oferta que no crece a la misma velocidad. El tema que estos productos sean cada vez más demandados, más allá del precio, es una oportunidad enorme para Argentina porque tenemos condiciones naturales, condiciones de capital humano, un know how, un saber hacer, que es muy importante y muy superior al que hay no resto do mundo. Es un country de vanguardia en ese sentido, de frontera. No es algo que nos vaya a salvar por sí solo, pero es una oportunidad enorme si tomamos en cuenta los encadenamientos productivos, el ecosistema that se genera alrededor. Particularmente el ejemplo más cercano que tengo es que en Mauá el desarrollo lo hicieron varias empresas, pero fundamentalmente dos que filho de profesionales egresados ​​de Tecnología de la Información en la Universidad de Tandil. Hoy el ecosistema del campo incluye a ingenieros informáticos, de diseño. Para hacer soja se necesita el conocimiento de ellos también. Entonces el ecosistema amplio es muy grande, mucho más de lo que pensamos. Hay una gran demanda no mundo y se puede poner en marcha rapidamente. Es parte de la solución de Argentina.
—¿Entonces en tu opinión exportar Alimentos es una bendición y no una maldición, como dijo la diputada Fernanda Vallejos?

—Pero obviamente que es una bendición. Ahora si después manejamos mal la política, no hacemos ahorro, no hacemos fondos anticíclicos, el Estado não es eficiente y gasta más de lo que puede, no hay competitividad por otros motivos y obviamente que hay un problem. Pero el problema no es por producir y exportar. El problema está em outro lado.

—¿Se podria formar un fondo anticíclico con retenciones a la soja ou al maíz, como hacen los países petroleros que tienen fondos anticíclicos por exportaciones de petróleo?

—Creo que sí, é muito importante que tengamos um fondo anticíclico que permitir guardar para los momentos más complejos. Lamentablemente ese fondo anti cíclico no lo hizo el Estado, lo hicieron los privados poniendo o dinero debajo del colchón y llevándolo al exterior. Lo que hay que tratar es que ese dinero vuelva al circuito productivo, al mercado de capitales, que salga de debajo del colchón, que vuelva de los bancos del exterior y que se vuelva a poner en producción. Y eso significa confianza, seguridad, proyecto, visión y eso no es la tarea de una persona, sino de um colectivo que não é só um partido político, sino una gran coalición mayoritaria que ponga en marcha y dé vuelta la página que tenemos na Argentina que nos ha llevado a crear tanta pobreza.

—¿Cubrirán las retenciones a la cosecha gruesa las necesidades de financiamiento del Estado de acá a las elecciones?

—Las necesidades de financiación del Estado no las arregla la soja. Es decir, hay un montón de impuestos más importantes también. El problema no es tanto la recaudación sino el gasto público. Las retenciones es un error terrible porque creo que bajándolas se va a recaudar más. Es al revés. Obviamente que no es sólo la baja de retenciones. Hay que generar incentivos para que los excedentes que são gerados por la baja de las retenciones vuelvan a la inversión de agroindustria ou de procesamiento. Es todo una parte sistémica: hay que bajar las retenciones y hacer otra series de políticas públicas adecuadas justamente para aumentar la producción, para procesar esa producción y para generar toda una inversión en tecnología, en inovación, que vamos a necesitar para competir.

—Si tuvieras que elegir un modelo normativo y regulatorio de otro country, ¿cuál crees que promueve mejor la innovación tecnológica?

—Yo no estudié todos los casos. Ele leído de Israel e me parece fantástico. Ha ido a una sinergia entre setor público y setor privado. El mundo de las Agtechs na Argentina está muy bien desarrollado. Falta por ahí que esas empresas pasen del valle famoso y puedan escalar y penetrar en el mercado. Mauá creo que va a ser una plataforma que va a ayudar a esas Agtech a pasar por el valle. → perfil.com

Tradução automática do espanhol.

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