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29 Abril, 2020
Hora de conjugar no plural
Por Gustavo Grobocopatel. O sistema capitalista precisava de correções e retificações. Espera-se que os tempos vindouros incentivem o progresso com equidade.

Prefiro a esperança, não o pretendo por um negador ou idealista vazio, me sinto assim porque acho que isso estimula o melhor de nós. Transbordando de informações e com diferentes pontos de vista sobre como será o dia seguinte, prefiro uma análise ampla, flexível e ambígua, com múltiplas perspectivas. A análise que pensa uma dinâmica com tensões, mais apta a entender a complexidade e as possíveis saídas em uma sociedade em rede.

O processo de globalização se aprofundará ou haverá um revés? Será mantida a tensão entre o global e o local, e entre a diversificação e a especialização? o capitalismo se regenerará mais fortemente como aconteceu em outras ocasiões ou haverá mudanças que o marcarão para sempre? a cultura, crenças e valores das sociedades moldarão diferentes tipos de capitalismo? viveremos em diferentes democracias com novas hierarquias? Como será estruturado o novo equilíbrio de poderes e mecanismos de controle da sociedade e em que medida as redes serão soberanas? A classe política terá uma nova oportunidade contra uma sociedade mais esquiva e exigente? o papel do Estado será ressignificado com mais burocracias profissionais? a tecnologia terá um impacto mais profundo e com maior velocidade em nosso modo de viver e fazer as coisas, em nossa cultura?

Gerenciar tensões consiste em sustentá-las vivas, a partir delas surgirão soluções criativas e inovadoras que permitem que o futuro seja projetado e construído sem estar ancorado no passado. Depois de ver, nas últimas décadas, a evolução de vários casos, como os da China, Coréia ou Finlândia, costumo pensar que podemos chegar lá mais rapidamente do que pensamos para resolver os problemas que hoje nos atormentam. Teremos que aprender e nos adaptar: poderíamos criar um "dengismo crioulo"?, Uma organização social escandinava à maneira latina?, Um estado escandinavo?. Vamos explorar sem preconceitos o que podemos aprender daqueles que tiveram bons resultados.

É provável que as megatendências observadas nos últimos anos não mudem; além disso, pode ser o momento de uma aceleração da mesma com maior conscientização ou uma conscientização diferente. Provavelmente, o objetivo é buscado com maior comprometimento, alguns processos são modificados, sua dinâmica, sua ponderação e ocorrência estão em diferentes segmentos e geografias.

Viveremos os desafios expostos na pré-pandemia na “casa comum”: meio ambiente, integração a partir da diversidade dos povos nativos, aquecimento global, água; com a convergência tecnológica que transforma nosso modo de viver, de nos relacionar com os outros, de trabalhar, de nos organizar.
No entanto, acredito que o sucesso desse processo estará intimamente ligado à capacidade da sociedade de se concentrar em como aprimoramos nossos sistemas e estruturas organizacionais para que se baseiem mais no homem e em seu propósito, para que ele não expulse e se integre.

O sistema capitalista precisava de correções e retificações. Espera-se que os próximos tempos encorajem o progresso com equidade e contemplem o interesse de todos e de todos, onde vivemos em harmonia com a natureza e colocamos capital e trabalho a serviço do progresso coletivo.

Marina Silva gostava de brincar com a ideia de criar "Sustentabilidade". Muitas vezes as palavras ajudam a descrever e guiar as transformações.

O colapso econômico certamente afetará a todos, ainda mais às regiões mais pobres.

No entanto, sinto que o progresso seguirá sua própria dinâmica, nos segmentos e regiões que se adaptam mais rapidamente ao mundo vindouro. É um momento de tensão, entre a resolução imediata de problemas angustiantes e a reflexão sobre o que foi aprendido e como nos reconstruir. Ambas as agendas se sobrepõem e sustentam a tensão criativa. Em nossa capacidade coletiva de viver essa tensão, será a possibilidade de realizar nosso propósito.

É muito provável que o progresso esteja ligado à tendência de desenvolver um mundo mais global e interdependente, agora com a necessidade urgente de criar laços e instituições nacionais e supranacionais mais envolvidos no desenvolvimento humano.

Esse mundo exigirá a criação de bens públicos de alta qualidade, como medicamentos personalizados, sistemas de informação que permitam tomar medidas mais rápidas e precisas e avançar com o ideal de como superar a morte.

Já é notável que precisamos de uma nova maneira de educar e aprender, não apenas transferindo conhecimento, mas desenvolvendo habilidades, uma escola que ultrapasse os limites de seus muros e nos torne estudantes para a vida toda, e professores que aprendam ensinando ou acompanhando os alunos. o processo de "iluminação" que dá conhecimento.

A pós-pandemia também acelerará as tendências de links virtuais, serviços compartilhados, facilitação de acesso, robotização, não apenas a partir da lógica exclusiva da competitividade, mas também da integração.

Nesse contexto, a sociedade precisará de mais e melhores empreendedores, líderes de organizações porosas, aqueles que elaboram políticas públicas do setor privado, aqueles que irradiam entusiasmo e espírito empreendedor, aqueles que estão dispostos a lutar por seus ideais, com generosidade, sem restrições e maior compromisso, aqueles que desejam simpatizar com a sociedade além de seu grupo de interesse.

O progresso, pensado a partir do lugar e da visão de mundo de cada um, requer luta contra o vírus e também luta contra demônios internos. O desafio não é apenas pessoal, é especialmente coletivo. Ouvir-nos, conhecer-nos, não tem como objetivo principal superar o crack ou coexistir, é construir juntos um futuro, um feito comum, sublimado quando alcançamos um "Nós" renovado e esperançoso.

Publicado em: www.clarin.com

Tradução automática do espanhol.

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