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16 Março, 2020
“Precisamos crescer heterodoxamente“
O presidente do Grupo Los Grobo garante que o país comece a crescer agora, mesmo que ainda não tenha resolvido a questão da dívida. Como o agronegócio pode contribuir com mais de 3,5% para o PIB. Por que ele diz que as retenções "apenas beneficiam o Brasil e o Uruguai"?

Gustavo Grobocopatel, presidente do Grupo Los Grobo, garante que o país comece a crescer mesmo que ainda não tenha resolvido a questão da dívida. Como o setor do agronegócio pode contribuir com mais de três pontos para o PIB. Reformas, retenções e acordo com a UE.

Quando na Argentina você pensa em um empresário ligado ao ramo, o primeiro nome que vem à mente é o de Gustavo Grobocopatel. Não apenas por ser presidente do Los Grobo, um grupo com negócios diversificados em produção agrícola, proteção de colheitas, exportações, moagem de trigo, financiamento e consultoria no agronegócio; mas porque ele não morde a língua quando precisa comentar as notícias econômicas e políticas de nosso país. Em sua nota para Fortuna, ele nega ser o "rei da soja", afirmando que o conceito de campo é "atrasado" e garante que o país precisa crescer imediatamente, mas que, de maneira sustentável, é essencial enfrentar reformas profundas. Além disso, embora acredite que o governo de Alberto Fernández esteja "tentando assumir e se encarregar" das questões mais urgentes, ele critica fortemente as retenções no campo. "Eles só beneficiam o Brasil e o Uruguai", explica ele.

FORTUNA: Qual é a sua primeira leitura sobre o que o governo está fazendo nestes primeiros meses de administração?
GROBOCOPATEL: O governo está tentando se encarregar das coisas e se organizar, e ainda não teve tempo de enfrentar a questão do crescimento, que, acredito, é o grave problema que temos como país há décadas. A realidade é que a Argentina não cresce. Se tivéssemos crescido para a média latino-americana, hoje teríamos 50% mais PIB. A falta de crescimento é o que desencadeia todo o resto de nossos problemas, que são pobreza, falta de trabalho, baixa atividade e deterioração das empresas, entre muitos outros. O grande esforço, em todo esse contexto, foi realizado pelo setor privado, porque o que o setor público fez é aumentar constantemente a pressão tributária. O resultado?: Empresas mais pobres, menos multinacionais e uma deterioração no setor privado que resulta em menos criação de empregos.

FORTUNA: A análise que você faz coincide com a de Fernández, que afirma que o problema é a falta de crescimento. No entanto, ele acredita que, para fazer isso, você deve primeiro resolver a questão da dívida. O que você pensa?
GROBOCOPATEL: Acho fácil concordar que a Argentina tem um problema com o crescimento. A questão é como fazemos. Alguns acreditam que a macro deve ser acomodada primeiro e depois começar a crescer, enquanto considero que o assunto é tão complexo e está nos causando tantos danos, que tudo deve ser feito simultaneamente. É claro que você precisa ajustar a macro, mas, enquanto isso, precisa começar a crescer de maneira heterodoxa.

FORTUNA: O que significa crescer de maneira heterodoxa?
GROBOCOPATEL: Existem atividades no micro que permitiriam gerar casos de crescimento que servem para evitar a perda de posições. Eu venho do setor de agronegócio e há muitas oportunidades. Um exemplo: atualmente existe a gripe africana e na China eles tiveram que matar uma porcentagem relevante de seu estoque de suínos. Lá temos uma oportunidade, porque vendemos soja e milho na China e hoje podemos vender carne para eles. Nós queríamos fazer isso décadas atrás, mas agora temos o mercado. No entanto, não temos investimentos para transformar grãos em carne em nosso país. Quem está aproveitando é o Brasil. Assim, precisamos urgentemente desencadear uma espécie de explosão de investimento para transformar grãos em carne, o que gerará exportações, câmbio, emprego; isto é, crescimento.

FORTUNA: Muitos empresários esperavam que Mauricio Macri fizesse reformas profundas, mas elas nunca vieram. Você acha que esse governo poderia executá-los?
GROBOCOPATEL: Eu sempre digo que mais reformas de direita podem ser feitas por um governo de esquerda, enquanto reformas de esquerda podem ser facilitadas por um governo de direita, porque existem legitimidades cruzadas. Acredito que a grande responsabilidade deste período peronista é realizar as grandes reformas, que são fundamentais, porque o crescimento de que estamos falando, sem reformas, não é um crescimento sustentável.

FORTUNA: Que reformas você acha que são necessárias?
GROBOCOPATEL: É outra questão com a qual muitos de nós concordamos. Temos que gerar reformas no Estado, ter uma que seja de qualidade e do século 21, que aprenda e facilite; reformas trabalhistas, que não implicam perda de direito, mas se alguém trabalha em uma empresa fundada, não há direitos; reformas educacionais, uma vez que não podemos continuar pensando sobre educação do ponto de vista formal, deve ser para toda a vida; reforma previdenciária, porque é uma questão global; e também o imposto. Sem essas reformas estruturais, o crescimento pode ser pão para hoje e pão para amanhã.

FORTUNA: Quanto ao seu negócio, qual é o status atual do Grupo Los Grobo?
GROBOCOPATEL: Pensamos que o futuro do agronegócio é importante e que a Argentina tem um papel importante no mundo. E que, além da turbulência ou das complicações, o que faz é acelerar ou desacelerar, mas a direção é a mesma. Somos tocados em ser líderes em frente. Hoje, semeamos mais de 200 mil hectares, mas isso ocorre em parcerias com clientes no sistema de semeadura associado a proprietários, contratados ou investidores. Nesse sentido, o percentual de Los Grobo é inferior a 50% desse total. É uma ferramenta de gerenciamento de risco para soja, trigo, milho e legumes, entre outros produtos. Por Claudio Celano Gómez. Revista Fortuna.

Tradução automática do espanhol.

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