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02 Novembro, 2022
Roberto Rodrígues: “Vejo uma demanda fantástica por alimentos em todo o mundo e Brasil e Mercosul têm a liderança na produção”
Ontem, o Ciclo de Conversas Mauá, liderado por Gustavo Grobocopatel, teve sua nova edição: "AGROINDÚSTRIA NO BRASIL, PRESENTE E FUTURO" com a participação de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura do Brasil, empresário, acadêmico e dirigente que destacou a evolução do Brasil, os desafios futuros e como o Brasil e o Mercosul estão enfrentando a demanda por alimentos que o mundo enfrenta nos próximos 20 anos.

“Admiramos o crescimento do agronegócio no Brasil, pelo menos nos últimos 20 anos, mas principalmente nos últimos 10. O Brasil não é apenas “um” Brasil: são vários e tem um que cresce 10% ao ano, e justamente é o Brasil do agronegócio” foi como Gustavo Grobocopatel iniciou sua apresentação para dar início ao que seria uma profunda análise e debate sobre o mercado brasileiro hoje e como ele se projeta no futuro, com um novo resultado eleitoral no horizonte.

“Em 1954 projetamos produzir 58 milhões de grãos, para depois projetar 100 milhões uma década depois. Foi uma ideia romântica, sim, mas em 2011 chegamos a 300 milhões de toneladas. Por quê? Porque temos a tecnologia do nosso lado: em 2005, foi aprovado o uso de OGM, algo que era proibido. A lei da biotecnologia, somada ao empreendedorismo do nosso país, nos permitiu importar 30% do que gerávamos para consumo: a agricultura estava em baixa”, disse Rodrigues.

Rodrigues garantiu ainda que, em sua opinião, há 5 pontos a serem considerados para um agronegócio de sucesso: políticas públicas claras, empreendedorismo em abundância, infraestrutura, boa logística e defesa da saúde.

“Entre as décadas de 1960 e 1980, foram lançados programas governamentais muito eficazes para conquistar o centro do país, onde havia um grande vácuo territorial: não havia gente, não havia absolutamente nenhuma produção. Os militares, na década de 70, decidiram ocupar a fronteira agrícola com pequenos mas muito bem sucedidos planos de compra de terras. Isso permitiu uma grande explosão de desenvolvimento, pois também começaram a ser feitos acordos com países que precisam de proteína e alimentos e as cooperativas agrícolas começaram a se desenvolver”, lembrou.

Além disso, segundo Rodrigues, isso foi possível porque os mercados se abriram: “foram 3 motivos para isso acontecer, três internos e um externo: puro empreendedorismo, integração com grandes empresas e, sobretudo, uma oportunidade fantástica de produzir alimentos para um mercado muito exigente”. Rodrigues garante que a produção para atender a essa demanda acontecerá no "cinturão tropical": América Latina, parte da África e Ásia. A chave para isso será uma boa infraestrutura e logística (custos que os estados não podem arcar e que dependerão de investimento público-privado significativo) e segurança jurídica: regras do jogo claras. “Impostos e reforma do Estado, coincidentemente são duas questões que estão no parlamento brasileiro para serem discutidas”, acrescenta. Os acordos, afirma, devem garantir mercados permanentes: “devemos garantir a demanda por mais produtos industrializados e menos commodities, a chave é fortalecer a indústria”

Sobre o Mercosul, Rodrigues é categórico: “tem boas intenções, mas falta vontade política. A verdadeira integração não aconteceu: isso exige uma atuação mais consistente dos governos e da iniciativa privada. Falta força", diz.

Tradução automática do espanhol.

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